VEJA! Estádio do Flamengo: Estudos técnicos revelam detalhes do terreno e situação da Naturgy

VEJA! Estádio do Flamengo: Estudos técnicos revelam detalhes do terreno e situação da Naturgy
Foto: Paula Reis/Flamengo

O Flamengo apresentou, em reunião na Gávea, os resultados dos estudos técnicos sobre o terreno do antigo Gasômetro, na região do Porto, no Rio de Janeiro, onde pretende erguer seu estádio. A explanação foi conduzida por Alexandre Rangel, consultor do clube, que participou do processo de reestruturação financeira a partir de 2013 e que hoje integra a equipe responsável por governança e projetos especiais. O objetivo foi esclarecer o que já se sabe sobre o solo, a contaminação ambiental, a situação da Naturgy e os ajustes feitos no projeto para reduzir custos e riscos.


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A mensagem central foi direta: o estádio é viável tecnicamente, mas depende de etapas complexas que exigem tempo, coordenação institucional e, sobretudo, solução para a permanência da concessionária de gás no local.

O terreno e a herança industrial

O Gasômetro não carrega esse nome por acaso. A área foi utilizada por mais de um século para produção de gás a partir de carvão, óleo e nafta, em um período em que controles ambientais eram praticamente inexistentes. Vazamentos acumulados ao longo das décadas deixaram um passivo significativo no subsolo.

Durante as sondagens realizadas em 2024 e 2025, técnicos identificaram presença de óleo nos furos de perfuração. Segundo o clube, já existem ao menos 21 estudos ambientais anteriores que confirmam o grau de contaminação. A estratégia adotada não foi investigar se há poluição, mas planejar como descontaminar.

O prazo estimado para limpeza completa varia entre 18 e 24 meses após a liberação integral do terreno. O processo pode envolver remoção de solo, tratamentos químicos e técnicas de bombeamento de resíduos. Sem essa etapa concluída, não há possibilidade de obter licenciamento para funcionamento de um estádio que receberá dezenas de milhares de pessoas.

Subsolo e fundações: sinal verde cauteloso

Se a contaminação preocupa, a capacidade do solo trouxe alívio. Foram realizados dez furos de sondagem, quatro no ano passado e seis neste ano, com mapeamento detalhado inclusive de dutos de alta pressão que atravessam o terreno.

A região próxima à Rodoviária Novo Rio e ao Terminal Gentileza era considerada mais sensível por ter sido aterrada no passado. Ainda assim, os laudos preliminares não apontaram “bandeiras vermelhas”. O subsolo é descrito como adequado dentro dos parâmetros esperados para um estádio com cerca de 60 metros de altura e estrutura verticalizada.

A análise agora avança para cálculos estruturais mais profundos, mas, até o momento, não há indicativo de necessidade de soluções extraordinárias que comprometam o orçamento.

Árvores, patrimônio e arqueologia

O levantamento ambiental identificou apenas 69 árvores no terreno, reflexo direto da degradação histórica do solo. Dessas, 26 possuem tronco superior a um metro. A compensação ambiental prevista pode chegar a cerca de quatro mil mudas.

Seis exemplares de pau-brasil, espécie imune ao corte, foram encontrados na área externa próxima ao futuro acesso norte. A intenção é solicitar à prefeitura o remanejamento enquanto ainda são mudas, evitando entraves maiores no futuro.

Outra frente envolve arqueólogos e especialistas em patrimônio histórico. A região do Porto concentra registros de ocupações antigas e já revelou sítios arqueológicos em intervenções anteriores, como no projeto Porto Maravilha. Além disso, há regras municipais sobre impacto visual e preservação do chamado “skyline” para quem observa a cidade a partir do mar. O estádio terá de dialogar com esse conjunto de normas.

Naturgy: o principal nó do cronograma

Hoje, cerca de 55% do terreno ainda é ocupado pela Naturgy. No local funcionam estação de bombeamento, laboratório de controle de qualidade e estruturas que distribuem gás para aproximadamente meio milhão de pessoas na capital.

A concessionária informou que, mesmo em um cenário favorável, levaria cerca de quatro anos para transferir a operação para outro endereço. O processo envolve encontrar novo terreno, licenciar, construir a estação, instalar dutos e interligar toda a rede antes de desligar o sistema atual. Trata-se de uma obra de grande porte, com impacto urbano relevante.

Enquanto houver tubulações ativas, o clube afirma que não poderá realizar intervenções mais drásticas no terreno, como demolições estruturais. Somente após a desativação completa será possível iniciar a descontaminação integral da área hoje ocupada pela empresa.

Na prática, o cronograma projeta pelo menos quatro anos para desocupação e mais dois anos para limpeza ambiental, o que empurra o início pleno das obras para um horizonte de médio prazo.

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Ajustes no projeto e redução de custos

Paralelamente às questões técnicas, o Flamengo revisou o conceito original do estádio. O telão de 360 graus foi eliminado, reduzindo cerca de R$ 200 milhões do orçamento. A capacidade total também sofreu ajuste, com corte aproximado de seis mil lugares, priorizando setores populares e diminuindo áreas VIP.

A reconfiguração estrutural permitiu enxugar fundações, lajes e cobertura, gerando economia em aço e concreto. Além disso, um acordo com a prefeitura definiu limites claros para as intervenções de entorno, evitando que o clube assumisse custos imprevisíveis com grandes obras viárias. Segundo os dirigentes, essa definição retirou quase R$ 300 milhões do risco potencial do projeto.

O custo total foi revisto de uma estimativa inicial de R$ 3,1 bilhões para algo em torno de R$ 2,2 bilhões, ainda sujeito a atualização.

O desafio financeiro

A modelagem econômica está sendo estruturada com apoio da Fundação Getulio Vargas. A diretriz política é clara: viabilizar o estádio sem comprometer o futebol e sem transformar o clube em SAF.

O plano financeiro ainda será detalhado, mas a orientação interna é construir um modelo que permita pagar a conta preservando a competitividade esportiva.

O recado final da apresentação foi menos empolgado e mais pragmático. O estádio não é promessa imediata. É um projeto de engenharia, ambiente, urbanismo e negociação institucional que exige etapas encadeadas. O entusiasmo existe, mas caminha ao lado de um cronograma longo e de desafios que não podem ser ignorados.

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Tulio Rodrigues